"Sete Crianças Judias, uma peça por Gaza"
"Sete Crianças Judias, uma peça por Gaza" foi escrita em 2009 pela autora inglesa Caryl Churchill como resposta ao ataque israelense à Faixa de Gaza iniciado em Dezembro de 2008 e finalizado cerca de 20 dias depois, em Janeiro de 2009. Nestes ataques, em que também foram utilizadas bombas de fósforo branco - substância incendiária que causa queimaduras terríveis e tem sua utilização em armas proibida pelas Convenções de Genebra, especialmente pela Convenção sobre Armas Químicas - 1.417 palestinos foram mortos, dentre os quais mais de 400 crianças. Estima-se, também, que cerca de 1.000 crianças ficaram feridas. As imagens da ofensiva sobre Gaza lembram belos fogos de artifício de ano novo - a utilização mais comum para o fósforo branco; já as fotografias de crianças queimadas vivas sendo retiradas dos escombros causam revolta e muita tristeza. O que passou pela cabeça desses pequenos ao verem a encantadora chuva de estrelas cadentes despencando do céu? Quanta dor não devem ter sentido, condenados a uma morte lenta e agonizante? Ou - será ainda pior? - a uma subsistência aflitiva e incompleta? Como pode uma criança compreender que se tornou apenas um joguete nas mãos daqueles que duelam por poder, ou pela terra, ou - que dirá - por causa daquilo que chamam de "fé"?
Sendo considerada por alguns críticos como "uma peça antissemita", e por outros como "uma peça curta habilmente construída, que atinge seu objetivo ao trazer o assunto para discussão", "Sete Crianças Judias, uma peça por Gaza" nos chamou a atenção, principalmente, por evidenciar como são reatualizadas e retroalimentadas as definições de vítima e algoz. Do Holocausto à ofensiva israelense, de "Não lhe digam que seus tios foram mortos" a "o que sinto quando olho para uma criança deles coberta de sangue é felicidade por não ser ela": a reprodução do horror que habita em nós, nada menos do que aquilo que nos torna (des)humanos.
LEITURA DRAMÁTICA PÚBLICA E DEBATE
17.03.2018 no Condomínio Cultural


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